Hey

23/08/2011

As vezes tenho uma vontadezinha de falar pra algumas pessoas: Hey, dá pra parar de ser estúpido comigo só porque eu não sou o que você gostaria que eu fosse?!

Mas daí eu penso bem… e me dá preguiça, talvez de acreditar que essas pessoas sejam capazes de entender o ponto onde eu quero chegar.

E pra terminar eu só cito a Clarice: “E se me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigada a me respeitar.”

Manifesto rápido

31/07/2011

Se eu fosse escritora, poeta, compositora,

eu dedicaria uma obra inteira só aos seus gemidos.

Alças

22/07/2011

Rodoviárias rendem boas crônicas.

As horas esperando no saguão rendem, pelo menos, boas risadas. É um lugar por onde muita gente diferente passa, e você acaba vendo de tudo. Mas quando eu digo que você vê de TUDO, é numa proporção ainda maior do que você imagina.

Estava eu entretida lendo meu lindo volume americano de Harry Potter quando a conversa de um senhor com uma senhora ainda mais senhora chegou aos meus ouvidos:

“Ô Zé, pode pegar água ali?”, a velhinha disse, apontando ansiosa para o bebedouro onde um homem estava enchendo uma garrafa. “O homem tá pegando, pode?”

“Pode, bem. Pega a garrafa e vai encher. Pode pegar quanta água quiser.”

“Mas ele tá pegando tudo! Olha só, toda a água! Eu vi outro desse lá embaixo, vou correr antes que peguem lá também!”

E você ouve todo tipo de história, desde a velhinha contando da viagem pra cidade natal até o surfista falando das ondas ótimas na praia de onde acabou de voltar. Mais interessante ainda é observar as roupas desse monte de gente que passa apressada por aqui. São tantas cores e estilos diferentes que dá pra brincar de consultor de moda. Pra mim, tem mais gente brega.

Outra coisa que  não dá pra não fazer é imaginar para onde cada uma dessas pessoas que passam por mim estão indo. O rapaz que estava do meu lado desde manhã acabou de arrumar a mochila, pegou a passagem e foi embora. Convivi com ele por 6 horas e não vou tornar a vê-lo. Não que eu quisesse tornar a vê-lo, mas é algo curioso. Tem muita gente ansiosa e feliz, tem muita gente chorando. O pai que está indo ver a filha recém nascida está na mesma fileira que o estudante nervoso se mudando para o interior devido a faculdade e, entre os dois, uma mulher está esperando o ônibus para ir ao velório de um amigo.

Enquanto isso um grupinho de adolescentes passa rindo de uma garota de ar entediado. Os adolescentes e a menina vão para a mesma praia. Eles para ir a festas e fumar na areia, ela para esfriar a cabeça depois de ter terminado o namoro de 8 anos.

São muitas atmosferas diferentes, e todas elas tem que conviver por um curto espaço de tempo sem se misturar. É um lugar pessoal e ao mesmo tempo impessoal demais.

Outro fato é que, depois que você resolve fazer uma viagem longa de ônibus, descobre porque chamam aquele seu amigo de “mala”. Passa a entender muito mais se teve de ir de ônibus ou metrô até a rodoviária. Mala é um inferno. Por mais que você não coloque nada dentro, fica pesada. E na rodoviária você vê todo tipo de mala. Mochilas gigantes, sacolas, gente com mala até o pescoço. Mas uma coisa abençoada é a mala de rodinha. Cambaleia, tomba, bate no calcanhar e quase te faz cair, mas é uma maravilha.

Todas as malas, na verdade, são sem alça.

X Ray

02/07/2011

Local: Saída do cinema
Filme: X Men First Class
Casal nerd olhando o movimento.
“É no primeiro andar. Está comigo.”
“Não precisa ser um telepata para prever que eu quero saber onde está o cartão de estacionamento e onde pagaremos logo na saída de um filme a 1 da manhã. É obvio, sr Xavier.”
“Posso… *faz o movimento com os dedos que o Charles faz no filme* brincar de ler sua mente e acessar um canto obscuro da sua memória?”
“Disponha.”
“Nesse momento você está pensando no que fazer quando sair daqui. Envolve eu, você, vinho e… espera… você me quer usando essa roupa?”
“Impressionante, Charles. Sério, me deu medo! Sabe, eu não creio que eu possa mover metal nenhum exceto por UMA coisa.”
“O que?”
“O ziper da sua calça, tipo agora.”

Certamente tiveram uma noite feliz.

Dica

13/05/2011

Fato: ninguém quer falar do que você precisa falar. Todo mundo acha que alguém fará isso melhor que si mesmo, ou só acha chato, ou só não tá afim.

LEARN IT

Eba!

12/05/2011

Ser estressada por pessoas da faculdade é sempre ótimo, gosto tanto. Agora estou aproveitando o intervalo pra testar o wordpress do iphone e pra confirmar que minha preguiça das pessoas só aumenta. Tenho que voltar pra terapia, dude.

Reparei que

11/05/2011

Como eu não tenho sobre o que escrever, vou escrever sobre mim. Eu faço isso com certa frequência, como podem ver.

Depois de um dia cheio, de um projeto quase frustrado, de gente me apurrinhando e de hostilidade nos 45 do segundo tempo, resolvi fazer um chá e me dar uma folga. Chegou no ponto onde ninguém mais quer falar sério e começa a rolar um desgaste forte que eu tenho que evitar, porque é desgastando que as coisas se transformam. É nessa hora que eu vou escrever pra ficar feliz, porque né.

Hoje na estação eu estava pensando sobre o fato das pessoas terem percepção de si mesmas. Uma palestra do Egon me fez parar pra pensar nisso num nível maior. Que as pessoas raramente tem uma percepção racional de si mesmas. E eu vi que exercito com considerável frequência a percepção corporal e psicológica que eu tenho de mim e dos outros.

Na estação fiquei reparando com que lado do pé eu piso, e é com a parte de dentro. Os sapatos ficam gastos no centro e inteiros dos lados. Reparei também que sempre paro para me apoiar no pé direito, lado onde se concentram meus problemas musculares. Notei que enquanto penso nessas coisas eu olho pra um ponto aleatório fixo e fico com expressão de dúvida, por mais divertido que seja o que eu estou pensando. E as vezes eu rio, por mais estranho que seja o que eu tenho em mente.

E rio me lembra água, outra coisa que eu faço com frequência. As palavras vão me pegando e me tirando do foco, e viram foca. E sempre me pego olhando pra onde as pessoas estão olhando. Quando estou em pé no vagão acabo mexendo muito pouco qualquer parte do meu corpo, o que me faz parecer um robô e odiar isso. E nessas horas eu penso que as pessoas todas estão me olhando e pensando que eu pareço um robô, mas sei bem que é mania de perseguição. Nessa hora eu fico tranquila e passo a música aleatória que caiu no shuffle. Shuffle só serve pra eu passar pra próxima música até chegar em uma que eu teria escolhido sem o estresse do “next, next, next”. Sempre que eu estou esperando um trem, penso em tirar meu caderno e escrrever sobre algo que esteja na minha cabeça. Tiro sempre 2 minutos antes do trem passar, ai me dá um ataque de raiva e sou tomada pela sensação de EU SABIA QUE ISSO IA ACONTECER! , mas em seguida penso que eu não tinha como saber, afinal. Percebi também que minha respiração é curta na maior parte do tempo e que eu tenho tendência a travar o maxilar quando algo me deixa tensa. Pessoas respirando perto demais me esgotam o ânimo de viver. Me sinto desconfortável perto de pessoas com determinados tipos de roupa, mas sempre tento me policiar e me forço a ficar perto delas pra ver que minha antipatia é gratuita. Geralmente não é, e só me lembro depois de ter me forçado a ficar perto delas o que faz eu me sentir estúpida e ter a certeza de que farei exatamente a mesma coisa da próxima vez que situação semelhante me ocorrer.

Me pego diversas vezes categorizando em pensamento se o tipo de conversa que estranhos estão tendo ao meu redor me soa pretensiosa ou simples, divertida ou tensa. E penso ao mesmo tempo que penso demais na vida dos outros e que devia pensar mais na minha. Aquela voz do além vem pra falar “você devia ter com quem conversar primeiro antes de sair falando dos outros!” e eu concordo e começo a pensar em projetos futuros, iniciação científica e outras coisas que em seguida me deixam triste. Dai eu penso que isso acontece e começo a mexer na bolsa. Eu abro a bolsa diversas vezes sem ter um objetivo. Como eu curso psicologia, esse tipo de atitude vira o inferno, né.

Me atraio por mulheres com perfume masculino e por homens com perfume feminino. Sempre me pego olhando garotas de cabelo curtinho ou com um estilo bacana, mas penso que estilo bacana pra mim não é o mesmo que de todo mundo, e que naquele momento alguém no mesmo ambiente que eu pode estar achando o moço de bigode estranho o cara mais sexy do universo. Tento manter a atenção nas garotas de cabelo curtinho, de qualquer modo. Mas desvio o olhar quando elas me olham.

Notei que me incomoda o fato de alguém apoiar o corpo todo numa das barras do metrô feita para as pessoas segurarem. Me dá vontade de tirar a pessoa da barra e explicar pra ela que aquilo foi feito pros outros segurarem. Isso me incomoda mesmo se eu estiver sentada, mesmo se a pessoa estiver do outro lado do vagão, e mesmo se não tiver absolutamente ninguém querendo segurar.

Penso também no que as pessoas podem estar ouvindo e se elas gostam tanto do que ouvem quanto eu gosto do que ouço. Penso também na dificuldade que eu teria para achar pagode algo agradável, mas vejo com os próprios olhos que acontece com os outros e fico feliz. Tem que existir quem ouça rock pra existir quem ouve pagode. Pensa, podia ser eu.

Reparei também que eu tamborilo os dedos nas pernas quando penso em algo incomodo.

Reparei AGORA que só tem o Justin online no MSN e que eu falei sozinha por um considerável período de tempo, mas que é normal porque as pessoas dormem às 2:00. Elas certamente tem mais o que fazer. Eu teria um trabalho para amanhã, mas você acha, né. Percebi que eu estou em crise e que eu gosto mesmo de passarinhos. Chego a essa última conclusão umas 20 vezes ao dia.

Caos

31/10/2010

É  o caos. Ele vai tomando conta da cena sem que você perceba. Pequenas coisas que vão acontecendo e estão completamente fora do seu controle. Tudo vai acontecendo sucessivamente. Os primeiros sinais são quase imperceptíveis, podem facilmente passar sem que você note. Você até nota, mas é algo que não chega a causar estranhamento. Alguém passar cantando perto de você, por exemplo. É algo que pode ser banal. Passa sem que seja notado.

Logo em seguida aparecem as coisas que fazem você parar e efetivamente pensar sobre aquilo. Lembre-se que tudo tem que acontecer em sequência, sem muito tempo entre uma e outra coisa. O moço acabou de passar cantando por você e, agora, você caminha por uma rua vazia, onze da noite, e passa por um mendigo sentado com um ursinho de pelúcia na coleira. O mendigo te segue com os olhos. Cena simples, silenciosa. Você para para avaliar o quão peculiar é aquilo. Que estranho, isso nunca te aconteceu. Você corre para a estação pegar o ônibus, afinal, a balada começa meia noite. Você avista que o ônibus esta lá, parado, e resolve parar de correr. Espera que a escada rolante te leve até o andar de baixo até que, subitamente, você começa a ser levado para cima. Olha para o topo da escada esperando alguma explicação e vê uma pessoa sorrir e falar “desculpa”. Não sabe se começa a correr para terminar de descer, ou espera a escada te levar até o topo. Isso não estava nos planos. Espera chegar no topo, procura pela pessoa que fez aquela sacanagem. Não há mais ninguém visivel. Uma mulher com um saquinho de pão de queijo te olha do canto da plataforma. Você desce de novo e vai para a fila do ônibus.

Nessa altura, você já está desconfiando que algo vai mal. Uma sensação de estranheza percorre seu corpo, você se sente levemente incomodado. A expressão desconfiada se instala no seu rosto e não sairá dele pelas próximas horas.

Na fila do ônibus, o motorista reclama do cheiro do óleo do motor que vazou pelo ônibus. Pede para as pessoas começarem a entrar. Tomem cuidado para não cair! – avisa ele. As 5 pessoas na fila sobem no ônibus. O cheiro do óleo é forte. A mulher que estava encostada no pilar, com o pão de queijo, abraça e beija o motorista. Vamos, meu amor. – diz ela com uma voz simpática. Claro que você também não contava com aquilo. Todos entram, o ônibus liga. As luzes não se acendem, uma ou outra fica muito fraca, piscando. O ônibus fica num clima sombrio, os trabalhadores sentam todos muito longe uns dos outros. Em 5 minutos, todos estão conversando entre si num papo muito animado. Você pensava que eles não se conheciam, mas até ai.

As luzes que estavam piscando se apagam num estouro. Você não tinha notado, mas os trabalhadores já haviam parado de convesar e estavam dormindo. Você definitivamente nota que algo está errado. As pequenas situações que foram ocorrendo te deixaram num estado de alerta. O que pode vir depois?

O ônibus quebra numa avenida movimentada. No mesmo segundo, um grupo de adolescentes que você não consegue muito bem ver os rostos passam gritando “TRAVESTI, TRAVESTI, TRAVESTI”. As vozes vão ficando distantes. A mulher do motorista tira uma lanterna enorme do bolso para ele checar o problema. A mulher do motorista tinha uma lanterna enorme no bolso! Você desce do ônibus e pega um táxi, porque falta pouco para chegar até a balada. O motorista do táxi ouve aquela música que marcou sua infância e que você simplesmente não esperava ouvir ali, naquele momento. Vai descendo na boquinha da garrafa! Chega na rua da balada. No caminho, vê uma marmitex inteira aberta no meio da calçada com pelo menos 30 baratas andando por ela. Pula a marmitex e começa a entrar em estado de perseguição. O pânico toma conta de você. Chega na balada e espera que tudo seja melhor. Encontra uns amigos e prefere não comentar sobre as coisas estranhas.

Na balada, tudo corre bem até que um projetor seja colocado em algum lugar misterioso e Crepúsculo comece a ser exibido no telão. Uma fotógrafa que fala espanhol pede para tirar uma foto sua. Ao mesmo tempo, você percebe a existência de um ser estranho de óculos grandes que aborda as pessoas na tentativa de fazer amizade. Ela te aborda. Você ignora e começa a dançar de olhos fechados. Sente seu cabelo caindo na sua cara. Mas estava preso! Ao procurar o elástico, vê que a criatura de óculos tirou o elástico do seu cabelo, sorriu e desapareceu no meio das outras pessoas. Ao procurar ela, você vê alguém andando agachado no meio da multidão desamarrando os cadarços alheios. A mesma fotógrafa do começo pede para tirar outra foto sua. Pede para você não olhar para a câmera. O pânico volta. O caos te perseguiu na balada! Você resolve sentar para pensar sobre aquilo.  Na sua frente, uma menina se ajoelha na frente de uma outra e implora por algo. A outra a beija. Choram no ombro uma da outra, enxugam as lágrimas. Você está tocada, emocionada, até que uma se despede da outra com um apertão na bunda. Você se lembra que provavelmente elas não se conheciam antes. A menina ajoelha para outra garota. Um travesti entra nu na balada. A fotógrafa que fala espanhol pede por uma última foto. Você resolve ir embora. Corre para o metrô o mais rápido que pode. Quer chegar em casa, deitar e esquecer daquele dia terrível em São Paulo. Entra num vagão onde só há você e uma pessoa falando em alemão ao celular. Se estica, encosta a cabeça, vai tentar dormir até chegar na sua estação. O motorista anuncia a parada na próxima estação. O vagão se enche de pessoas falando alemão. Todos descem na próxima.

October 31, vamos contar histórias macabras

31/10/2010

Pra mim, discutir política é o seguinte:

Você e mais um grupo de amigos estão presos num porão ha 10 dias, sem comida, água chegando ao fim. A situação ali dentro é realmente horrível, a pior possível, sem esperança de vida nos próximos dias.

No teto, um pouco alto, há uma porta por onde, com algum esforço, há a possibilidade de sair.

Discutir política, pra mim, dá no mesmo de sentar e discutir qual a melhor forma de morrer ao invés de discutir como chegar na porta e sair dessa merda.

Uns preferem morrer de fome, outros votam pelo suicídio coletivo, alguns até são bondosos e se oferecem para matar de forma indolor aos outros.

A porta continua ali, mas você e seus amigos são preguiçosos mesmo. Mais fácil discutir o modo mais confortável de morrer. Boa morte, pessoal.

Revolta rapidinho

14/10/2010

Verdade é que eu não sei explicar o motivo do meu voto nulo.

Eu sei muito claramente qual é o motivo, mas explicar é outra coisa.

Não tem nada a ver com as pessoas do “movimento vote nulo”, não. Entrei nesse site pela primeira vez hoje e fiquei decepcionada com o tal do movimento. Acho que não tem porque comentar o que os politicos fazem ou deixam de fazer quando não se acredita que política funciona no Brasil.

Votar nulo não é um protesto.

Tem muito menos a ver com alienação, lembrando que alienado hoje é quem assiste TV e se deixa influenciar pelas mídias.

Pode até ter a ver com quem, na dúvida, por não entender do assunto, prefere não dar seu voto a ninguém. Mas tem mais a ver com outra coisa.

Tudo na vida é uma opinião. Muitas pessoas tem a necessidade visceral de criar uma opinião sobre tudo, outras de impor essa opinião, algumas divulgam, e tem gente que simplesmente não faz essa questão toda. Não tem certo e errado nesse grupo, tem o que você é e o que você não é. Mas todos decidem coisas que são decididas “em comum”.

E muita gente encara política no Brasil do mesmo modo que encara futebol. As pessoas acham que TEM QUE escolher um lado e torcer por ele. Ai que tá a merda, meu amigo.

Pra mim, o voto nulo não é só incredulidade. É algo que tem mais a ver com a palavra do que com o significado.

Vamos lembrar aqui que política tem tudo a ver com atender interesses em comum.

Eu só acho que qualquer politico e qualquer coisa dependente de politicos simplesmente não ajuda “as pessoas”.

Tem muita gente boa que quer fazer algo pelas pessoas? Tem, claro! Elas não estão num partido politico. Esse é o ponto em que eu gostaria de chegar.

O problema está no sistema em que os politicos estão envolvidos. Não estou falando de uma pessoa, de um partido, estou falando de todos juntos, de qualquer coisa inserida nesse sistema no qual os politicos estão envolvidos. É isso que eu acredito que deva mudar.  Tem muita gente que tem boa vontade, mas estão longe de partidos.

E muita gente tem a falsa idéia de que os politicos fazem as coisas pra “ajudar” o povo. ONG ajuda, politico tem obrigação. Você sabe quanto sai do seu bolso todo dia para que eles façam coisas das quais tem obrigação? Como os serviços para a comunidade não são produtos palpáveis, fica mais difícil reclamar. Mas se você paga por 1kg de carne e ted ão 200g, você abaixa a cabeça e sai sorrindo?

A política ajuda única e exclusivamente aos politicos e as pessoas do partido.

Eles estão lá para garantir que as favelas e o povo miserável do Nordeste sempre existam, para que possam ter para quem dar comida e garantir votos na próxima eleição. Porque a educação do Brasil é essa merda? Porque eles querem que você seja educado pra escolher um lado ao invés de discordar do problema todo. Eles não querem ninguém discordando.

E eleitos, o trabalho é fácil. Um salário enorme, o dinheiro do povo dividido entre os membros do partido e 0,2% do orçamento investido para deixarem contentes o povo acomodado que somos.

Não importa que nada tenha sido feito, quem faz uma pracinha e dá cesta básica antes da eleição “pelo menos fez alguma coisa” e merece votos.

Mas gente, não dá pra ficar se contentando com “quem fez, pelo menos fez”.  Estamos vivendo no sistema do “pelo menos fez”.

E, pra mim, não existe maneira melhor de “protesto” que o voto nulo. É a mensagem de que não estamos engolindo as “bondades” dos politicos, não estamos acreditando que eles pelo menos fizeram algo. Nós sabemos o quanto do nosso dinheiro eles embolsam no fim do mês, sabemos que teriam toda a possibilidade de acabar com a pobreza, e sabemos também que eles mantem tudo isso pra ter sempre gente com fome e ter pra quem dar comida na próxima eleição em troca de voto e de mais alguns anos de mordomia. É importante resaltar que não importa o partido, muito menos a boa vontade de UM.  Político tem obrigação pra cumprir. Tem boa vontade de ajudar? Não procure um partido, se junte a pessoas que não estão envolvidas nesses esquemas, entre numa ONG, faça algo sozinho. O problema não é a ajuda, é A QUEM estamos dando nosso voto de confiança para que algo proveitoso seja feito com o dinheiro que pagamos, e que descaradamente pegam esse dinheiro e fazem o suficiente para iludir o povo.

Eu não dou meu voto para ninguém. Dou meu voto pra esperança de que uma hora isso vai deixar de existir pra dar lugar a qualquer outra coisa. Se vai ser melhor ou pior, só esperando. Deixar as coisas como estão vai certamente levar  a algo imensamente pior. Toda mudança é lenta. Para chegar no 10000, temos que começar do 1.

Nós não devemos nada pra ninguém para ter que escolher um lado, acho que eles quem devem muito. Ninguém está fazendo favor pra gente. Olha o absurdo de imposto que a gente paga.

E acho que não é protesto que vai tocar os politicos. Eles não ligam. Eles não ligam pra sua mudança de partido. Não tem ideologia em jogo. Se você mudar de partido, eles mudam também. Eles fazem “o favor” de fazer o que o outro partido falou que faria mas não fez.  Mas no centro da coisa, tudo se re articula, ganha outras formas e a coisa continua a mesma. Nada disso toca os politicos. O que toca eles é a ausência de atenção.  Não há o que fazer quando as pessoas não dão atenção pro politico. Não tem voto em jogo, só tem gente simplesmente não dando e tirando o poder que o politico tem de manter a pobreza e a ignorância pra enriquecer. Isso toca os politicos. E tocar não é o bastante, visto que eles não se emocionam com muita coisa. Não só toca, como tira o poder.  Você não deixa uma pessoa com claros e sérios desvios morais chegar a ser médico. Porque ninguém liga pra pessoas assim governando milhares de outras pessoas? Eles matam bem mais gente que um médico.

É só uma questão de pensar.


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